Frederico

Recursos pedagógicos:

Recursos pedagógicos elaborados no âmbito do projeto “Leituras em Família”, do Programa aLer+ 2027, em vigor no nosso Agrupamento.

Obra em destaque: “Frederico”, de Leo Lionni (autor e ilustrador); tradução de Dora Isabel Batalim; editora Kalandraka.

Vale mesmo a pena passar por lá…

O sr. Júlio, conhecido por ser uma das pessoas mais dinâmicas e multifacetadas do nosso Agrupamento, nas poucas horas vagas de que dispõe, dedica-se a transformar velhas paletes industriais em coisas extraordinárias. Já tínhamos visto várias peças de mobiliário por ali espalhadas, dentro e fora da escola, como poltronas, floreiras e baús, mas isto é algo diferente… Ao longo das últimas semanas, temos assistido à emergência de uma espécie de aldeamento infantil numa discreta zona da Escola Básica e Secundária Dr. Mário Fonseca.

Os habitantes deste espaço serão, naturalmente, as crianças do 1.º Ciclo da escola sede do Agrupamento.

Absolutamente fantástico!

O que entendes ser “discriminação”?

Esta questão colocada a algumas turmas do nosso agrupamento, no âmbito dos seus projetos de turma. Ao longo do ano, surgiram várias respostas em diversos formatos, entre as quais destacamos:

O calendário de 2022 da turma 6C_N

(direção de turma da docente Margarida Costa)

As bonecas da turma 6D_N

(direção de turma do docente Jorge Sanhudo)

Estes trabalhos resultaram da articulação entre as várias disciplinas na execução do projeto de turma e encontram-se expostos na entrada da EBS Dr. Mário Fonseca.

O Mapa não é o Território, ou é?

Por Luís Moreira

Na ala direita do átrio interior da Escola Básica e Secundária de Lousada Norte, ocupando todo o painel frontal ao bar, encontra-se um conjunto formado por três mapas de grandes dimensões que representam os três territórios que compõem a República Portuguesa: Portugal Continental ou Peninsular, Arquipélago da Madeira e Arquipélago dos Açores. Na ala oposta, existe um mapa que figura a União Europeia.

Imagino que estes mapas tenham sido elaborados nos inícios deste século, talvez por iniciativa de um, ou vários, professores, num projeto colaborativo e transdisciplinar como se diz hoje em dia, mas que afinal se pratica há décadas.

Figura 1 – Mapa de Portugal Peninsular
Figura 2 – Mapas dos Arquipélagos dos Açores e da Madeira

Os mapas em causa pertencem à tipologia que se poderia designar de “ideográfica” ou “etnográfica”, porquanto representam atividades económicas, artísticas, culturais, recreativas, etnográficas e folclóricas do território. Estas características também fazem com que este tipo de mapa possa ser aproveitado como mapa turístico.

As características culturais atribuídas ou definidas para um determinado território, levam à construção de geografias mentais estereotipadas, onde as classificações folclórico-etnográficas vinculam os seus habitantes, o que leva a generalizações, muitas vezes abusivas e erróneas, que se perpetuam ao longo de gerações. Ao tempo da ditadura do Estado Novo (1933-1974), os mapas, enquanto poderosos documentos visuais, serviram de veículos para uma estratégia de propaganda nacional de engrandecimento patriótico e de sobrevalorização do território nacional. Nessa época, forjaram-se muitos dos estereótipos territoriais regionais que, ainda hoje, travestidos de atração turística, continuam a ser divulgados.  Analisemos os mapas.

Importa referir que nenhum dos exemplares expostos apresenta qualquer elemento fundamental dos mapas, a saber, título, orientação, escala, legenda, fonte e autor. Eventualmente, pela carga pictórica, a legenda será dispensável.

 Comecemos pelo mapa de Portugal peninsular, o de maior dimensão, constituído por três grandes painéis. O país apresenta-se muito colorido, destacando-se do fundo castanho que representa o restante território peninsular. Do ponto de vista da geografia física, seis rios constituem referências locativas no território português: Douro, Mondego, Zêzere, Tejo, Sado e Guadiana, embora nenhum tenha sido identificado. Porquê estes e não outros é uma questão que permanecerá em aberto. 

No que concerne à geografia político-administrativa, embora a fronteira não se distinga da linha de costa, a separação política ibérica está implícita. Internamente, o país apresenta uma divisão por províncias. Esta divisão regional tinha sido proposta pelo famoso geógrafo de Coimbra, Amorim Girão, e foram promulgadas no Código Administrativo de 1936, equiparadas a autarquias, mas, como na prática nunca funcionaram, foram oficialmente extintas em 1959. No entanto, muito graças à poderosa doutrinação que a escolarização obrigatória implementava, continuou sendo ensinada no ensino básico nacional, muito para além da queda do regime Salazar-Caetano, perpetuando-se o anacronismo e o erro geográfico.

Cada uma das onze províncias distingue-se facilmente pela cor diferente e pelo facto de conterem um conjunto maior ou menor, de figuras e de objetos que, supostamente, resumem as características e os modos de vida das suas populações. Genericamente observa-se uma profunda ruralidade em todo o território nacional, isto quando Portugal já é, há muito, terceirizado… As referências urbanas estão muito diluídas e simbolizadas por monumentos ou bairros mais “típicos” (como o da Ribeira do Porto). O litoral está pontuado de embarcações tradicionais (barcos rabelos, moliceiros, etc.), uma traineira de pesca e dois windsurfers na costa algarvia. Seria fruto da redução da frota imposta pela Política Comum das Pescas?!

O Minho está representado por uma figura trajada à “vianense”, o galo de Barcelos, uma canga ou jugo, uma casa tradicional em granito e pela estátua da “justiça de Fafe”. O Douro Litoral por um carro de rali (Lousada?) e por S. Gonçalo (de Amarante). Trás-os-Montes e Alto Douro é uma das províncias com mais representações, num misto de produtos agrícolas, monumentos e etnografia: uma chega de boi em Montalegre; as peças de barro de Bisalhães; a castanha da “Terra Fria”; a Porca de Murça; o fumeiro de Vinhais(?); as uvas (e o vinho) do Douro; uma máscara (careto?); as gravuras rupestres de Foz Côa e os pauliteiros de Miranda.

Os exemplos destes estereótipos multiplicam-se, quase sempre com alguma graça: o esquiador(!) na serra da Estrela; o lince na serra da Malcata (coitado, nesta altura completamente extinto em Portugal!); o estudante-fadista de Coimbra; o campino do Ribatejo e o inevitável alentejano encostado ao chaparro…. Enfim, retratos de um país que não existe e, muito provavelmente, nunca existiu.

Quanto aos arquipélagos, representados em dois painéis, o de cima os Açores e o de baixo a Madeira, prolongam as imagens generalizadas. A cada ilha corresponde um ou dois elementos identificativos: monumentos como igrejas e moinhos existem em santa Maria, São Miguel, Terceira, São Jorge e Graciosa. O Pico e Faial foram representados com os seus vulcões, respetivamente, Pico e Capelinhos; a ilha das Flores por uma coroa de Flores e a do Corvo por um corvo…. Há um ananás de grandes dimensões a flutuar algures entre as ilhas.

Na Madeira, as casas de Santana, as flores e as bananas resumem o carácter geográfico (em sentido lato) da ilha; já em Porto Santo, com a maior praia de Portugal, um chapéu de sol identifica, claramente, a principal e, quiçá, a única ocupação possível.   

Dado que os mapas fazem parte da “decoração” da Escola, neste ano letivo conduzi uma experiência com os alunos dos 10º e 11º anos do curso de Línguas e Humanidades, afinal os únicos que estudam a Geografia de Portugal, para tentar verificar se aqueles mapas exercem alguma influência nas suas perceções espaciais e/ou na reformulação da sua imaginação geográfica, no que diz respeito ao território nacional. Assim, numa rubrica da disciplina de Geografia foi solicitado que os alunos comentassem criticamente os mapas e fossem capazes de propor, caso assim o entendessem, alternativas àquelas imagens.

Da realização deste trabalho relevam-se algumas observações: os alunos alegavam desconhecer os mapas ou não sabiam onde estes se encontravam; revelaram algumas competências de “alfabetização” cartográfica, pelo menos foram capazes de fazer a leitura periférica e identificar os elementos do mapa em falta, nomeadamente, a escala e a legenda; tirando um ou outro monumento, a generalidade dos elementos figurados como representativos do território não foram reconhecidos.

De facto, poucas associações foram estabelecidas e quase nenhum questionamento levantado, como se de um espaço desconhecido se tratasse.  

Bibliografia:

Moreira, Luís Miguel (2019). Cartografia, turismo e propaganda: o mapa ROTEP do Entre Douro e Minho, 1959. Cadernos de Geografia, 40, pp. 101-117.

Alunos de Nogueira oferecem livro aos colegas do JI de Lagoa

Os finalistas do Jardim de Infância de Lagoa receberam um livro feito pelos alunos da turma do 1.º ano da EBS de Nogueira, da docente Cecília Carvalho, com os quais articularam várias atividades durante este ano letivo.

Apesar de ainda não saberem ler, poderão ver e ouvir os pequenos escritores lerem as suas histórias, através de uma aplicação de QR CODE disponível em cada página do livro.

Belo trabalho! Parabéns !